Ainda que a chuva demore
que à noite a vela venha curta
ou a palavra esguia teime em fugir do verso
Ainda que o beijo no rosto seja o de Judas
que o conto não tenha a frase perfeita
ou o descuido tenha desafinado o final
Ainda que demore
que respingue
que desatine
que o que era Sol
há pouco tenha se apagado
e o que era doce
de amargo se vestiu
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que sujo
Ainda que o corpo sangre
E o espasmo seja o espanto
E o canto desabafo
(bem me lembro das noites frias regadas a conhaque)
Ainda que a memória esteja falha
Que o passado condene
E o julgamento injusto
E que a sentença seja
a solidão...
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que impuro
Eu juro
Ainda que venha a morte
E tudo se transforme em silêncio...
em silêncio...
silêncio.
Haverá de manter-se esse desejo incessante
Um sonho ( que sem ele o homem é carvão)
Um último gole de poesia
E esperança
Cujo gosto (que é voz e ecoa)
Permanecerá vivo de alguma forma
Além da vida
Além da morte
Além de mim
que à noite a vela venha curta
ou a palavra esguia teime em fugir do verso
Ainda que o beijo no rosto seja o de Judas
que o conto não tenha a frase perfeita
ou o descuido tenha desafinado o final
Ainda que demore
que respingue
que desatine
que o que era Sol
há pouco tenha se apagado
e o que era doce
de amargo se vestiu
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que sujo
Ainda que o corpo sangre
E o espasmo seja o espanto
E o canto desabafo
(bem me lembro das noites frias regadas a conhaque)
Ainda que a memória esteja falha
Que o passado condene
E o julgamento injusto
E que a sentença seja
a solidão...
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que impuro
Eu juro
Ainda que venha a morte
E tudo se transforme em silêncio...
em silêncio...
silêncio.
Haverá de manter-se esse desejo incessante
Um sonho ( que sem ele o homem é carvão)
Um último gole de poesia
E esperança
Cujo gosto (que é voz e ecoa)
Permanecerá vivo de alguma forma
Além da vida
Além da morte
Além de mim