(Do extinto "Casa da Infância/Spaceblog")
Em novembro de 1988, foi
publicado um artigo na Revista Nova Escola, com o título “A alegria de
transformar sucata em folhas de papel”, mencionando que em Planaltina (DF), duas
professoras de Educação Artística – Vidalvina Oliveira, que na época pesquisava
sobre papel artesanal e Marilda Cenci, que se tornou a orientadora de alunos das
antigas 5ª a 8ª séries (atuais 6º ao 9º anos) ensinavam seus alunos a fabricar
papel.
O papel produzido a partir de
material reciclado (caixas de ovos, papelão, restos de jornais e revistas,
aparas etc.) ou de fibra vegetal (pétalas de flores, palha de arroz, casca de
cebola ou de grão de soja, folha de bananeira etc.) garantia uma grande
variedade de texturas e estava substituindo a cartolina utilizada para o
desenho, pintura e xilografia, com perfeição.
Vidalvina garantia que a
“produção de papel a partir de material reciclado é bem simples” (diferente
daqueles feitos a partir de fibra vegetal, em que a base é o cozimento com soda
cáustica).
Para a produção, precisamos seguir os passos de:
1. COLETA DE MATERIAL
É interessante fazer um
mutirão de coleta para arrecadar bastante material reciclável: caixas de ovos,
papelão, restos de jornais e revistas, aparas de gráficas, embalagens de
supermercado ou qualquer tipo de papel usado.
Para trabalhar, será necessário: bacias, um liquidificador um varal, uma esponja, vinagre, pedaços de tecido e tela plástica (do tipo peneira), que se encaixe numa moldura móvel.
2.PREPARAÇÃO DA POLPA
Todo papel recolhido deve ser
picado em pedaços bem pequenos e deixado de molho numa bacia com água, durante
uma hora. Depois deste tempo, este papel vai ser transformado em polpa,
batendo-se no liquidificador. A mistura de papéis deve ser colocada aos poucos
no liquidificador em muita água (uma medida de papel para 03 ou 04 de
água).
Derrame a polpa batida numa
bacia para fazer a diluição com água, de acordo com o papel que quer produzir:
para o mais grosso, menos água; para o papel mais fino, bastante
água.
Mexa bem a polpa diluída.
Se não for usar todo o
material no mesmo dia, adicione meio copo de vinagre para não mofar e cubra o
recipiente, evitando a criação de larvas de moscas. Bem conservada esta polpa
pode durar até 15 dias.
3. COAGEM DAS FOLHAS
No recipiente em que a polpa
diluída se encontra, mergulhe a moldura com a tela plástica para formar as
folhas. Deixe escorrer a água, apoiando a tela no canto do recipiente. O passo
seguinte é retirar a moldura e esticar bem o tecido sobre a tela.
Observe que é a tela emoldura da que dá a forma ao papel.
4. SECAGEM DAS FOLHAS
Vire o molde sobre uma mesa
forrada com jornal. Retire o excesso de água, enxugando o verso com a esponja ou
um pano absorvente. Com cuidado levante a tela, dando uma pequena batida para a
folha formada se soltar. Aderida ao tecido, a folha está pronta para ir para o
varal. Para finalizar, antes que a folha esteja totalmente seca, precisa ser
prensada (na ausência de uma prensa, poderá usar duas madeiras
pesadas).
É uma matéria bem antiga e bem
interessante. De lá para cá muita coisa evoluiu, mas os princípios são os
mesmos. No link http://www.comofazerpapel.com.br/assets/comofazerpapel.pdf poderá
obter maiores detalhes. Entretanto, com o resumo acima creio ser possível
aprender a execução desta arte e estendê-la aos seus alunos e/ou filhos. Além de
ecologicamente correta, é uma atividade bastante prazerosa que pode render
muitas outros objetos criados a partir do papel!!!
Abraços!
FONTE: Revista Nova Escola,
ano III, nº 26, novembro/1988, p.30-33.
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