sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Papel Artesanal

(Do extinto "Casa da Infância/Spaceblog")
 
 
 
 
 
 
 
 
Em novembro de 1988, foi publicado um artigo na Revista Nova Escola, com o título “A alegria de transformar sucata em folhas de papel”, mencionando que em Planaltina (DF), duas professoras de Educação Artística – Vidalvina Oliveira, que na época pesquisava sobre papel artesanal e Marilda Cenci, que se tornou a orientadora de alunos das antigas 5ª a 8ª séries (atuais 6º ao 9º anos) ensinavam seus alunos a fabricar papel.

 O papel produzido a partir de material reciclado (caixas de ovos, papelão, restos de jornais e revistas, aparas etc.) ou de fibra vegetal (pétalas de flores, palha de arroz, casca de cebola ou de grão de soja, folha de bananeira etc.) garantia uma grande variedade de texturas e estava substituindo a cartolina utilizada para o desenho, pintura e xilografia, com perfeição.

 Vidalvina garantia que a “produção de papel a partir de material reciclado é bem simples” (diferente daqueles feitos a partir de fibra vegetal, em que a base é o cozimento com soda cáustica).

Para a produção, precisamos seguir os passos de:

1. COLETA DE MATERIAL

É interessante fazer um mutirão de coleta para arrecadar bastante material reciclável: caixas de ovos, papelão, restos de jornais e revistas, aparas de gráficas, embalagens de supermercado ou qualquer tipo de papel usado.

Para trabalhar, será necessário: bacias, um liquidificador um varal, uma esponja, vinagre, pedaços de tecido e tela plástica (do tipo peneira), que se encaixe numa moldura móvel.

 2.PREPARAÇÃO DA POLPA

Todo papel recolhido deve ser picado em pedaços bem pequenos e deixado de molho numa bacia com água, durante uma hora. Depois deste tempo, este papel vai ser transformado em polpa, batendo-se no liquidificador. A mistura de papéis deve ser colocada aos poucos no liquidificador em muita água (uma medida de papel para 03 ou 04 de água).

Derrame a polpa batida numa bacia para fazer a diluição com água, de acordo com o papel que quer produzir: para o mais grosso, menos água; para o papel mais fino, bastante água.

Mexa bem a polpa diluída.

Se não for usar todo o material no mesmo dia, adicione meio copo de vinagre para não mofar e cubra o recipiente, evitando a criação de larvas de moscas. Bem conservada esta polpa pode durar até 15 dias.

 3. COAGEM DAS FOLHAS

No recipiente em que a polpa diluída se encontra, mergulhe a moldura com a tela plástica para formar as folhas. Deixe escorrer a água, apoiando a tela no canto do recipiente. O passo seguinte é retirar a moldura e esticar bem o tecido sobre a tela.

Observe que é a tela emoldura da que dá a forma ao papel.

 4. SECAGEM DAS FOLHAS

Vire o molde sobre uma mesa forrada com jornal. Retire o excesso de água, enxugando o verso com a esponja ou um pano absorvente. Com cuidado levante a tela, dando uma pequena batida para a folha formada se soltar. Aderida ao tecido, a folha está pronta para ir para o varal. Para finalizar, antes que a folha esteja totalmente seca, precisa ser prensada (na ausência de uma prensa, poderá usar duas madeiras pesadas).

É uma matéria bem antiga e bem interessante. De lá para cá muita coisa evoluiu, mas os princípios são os mesmos. No link http://www.comofazerpapel.com.br/assets/comofazerpapel.pdf poderá obter maiores detalhes. Entretanto, com o resumo acima creio ser possível aprender a execução desta arte e estendê-la aos seus alunos e/ou filhos. Além de ecologicamente correta, é uma atividade bastante prazerosa que pode render muitas outros objetos criados a partir do papel!!!

Abraços!

 

FONTE:  Revista Nova Escola, ano III, nº 26, novembro/1988, p.30-33.

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