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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O sapo e a cobra


Esta é uma lenda africana. Muito interessante. Uma boa história para propor às crianças uma reflexão sobre as nossas atitudes e relacionamentos interpessoais
 Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
-Olá! O que você está fazendo estirada na estrada?
- Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
- Um sapo. Vamos brincar?
E eles brincaram a manhã toda no mato.
- Vou ensinar você a pular.
E eles pularam a tarde toda pela estrada.
- Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
E eles subiram.
Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
- Obrigada por me ensinar a pular.
- Obrigado por me ensinar a subir na árvore.
Em casa, o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
- Quem ensinou isso a você?
- A cobra, minha amiga.
- Você não sabe que a família Cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.
Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
- Quem ensinou isso a você?
- O sapo, meu amigo.
- Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família Sapo? Da próxima vez, agarre o sapo e... bom apetite! E pare de pular. Nós, cobras, não fazemos isso.
No dia seguinte, cada um ficou em seu canto.
- Acho que não posso rastejar com você hoje.
A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: " Se ele chegar perto, eu pulo e o devoro".
Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato.
Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficavam sempre ao sol, pensando no único dia em que foram amigos.
FONTE:
imagem:

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Joãozinho Semente de Maçã

(Do extinto "Casa da Infância/Spaceblog")
 
 
 
 
(lenda dos colonizados norte-americanos, traduzida por Karin E. Stach)
Era uma vez, um menino chamado Joãozinho, ele gostava muito de comer maçãs e ficava muito feliz ao ver as pequenas sementinhas marrons e lustrosas que dormiam lá dentro. Um dia sua mãe lhe contou que cada uma dessas sementinhas poderia transformar-se numa macieira, se fosse posta na terra, aquecida pelo sol, regada pela chuva e abençoada por Deus.
Joãozinho então começou a juntar as sementinhas e todo o mundo chamava-o Joãozinho Semente de Maçã. Quando já havia juntado uma boa porção, pediu a sua mãe:
__Por favor, mãezinha, costura-me uma bolsinha para que eu possa guardar as minhas sementes!
A mãe pegou um retalhinho de pano e costurou uma bolsinha onde Joãozinho os as sementes.
Quando a bolsinha ficou cheia, ele foi falar com sua mãe:
__Por favor, mãezinha, costure uma bolsa maior para minhas sementinhas!
A mãe pegou um retalho maior, costurou uma bolsa maior para Joãozinho pôr as sementinhas nela. E quando essa bolsa também ficou cheia, Joãozinho foi pedir mais uma vez à sua mãe:
__Por favor, mãezinha, costure uma bolsa maior para minhas sementinhas!
Depois que a bolsa ficou cheia ele foi pedir mais uma vez à sua mãe, e ela então pegou um pano bem grande e costurou um grande saco.
Quando este saco ficou cheio, Joãozinho já era João, um jovem, e disse a sua mãe:
__Agora irei pelo mundo e plantarei as sementes, para que todas as crianças possam se alegrar com as maçãs.
E preparou-se para a viagem: sapatos ele não tinha, mas estava acostumado a andar descalço e as solas de seus pés estavam bem grossas; na cabeça pôs uma panela; numa mão levou um bastão; e no ombro o saco com as sementes. Mas levava também um livro cheio de orações e histórias santas para pedir a benção de Deus.
Assim disse adeus à sua mãe e saiu cantando:
”O bom Deus cuida de mim,
Eu vou cantando assim:
Agradeço seus presentes.
A chuva, o sol e as sementes”
Por onde João Semente de Maçã passava, ele plantava as sementinhas. Às vezes, ele passava a noite numa fazenda ou ficava uns dias ajudando por lá. Quando se despedia espalhava as sementinhas de maça em volta da casa. Eles teriam um belo pomar um dia!
Ele continuou caminhando, caminhando, caminhando, sempre seguindo o sol, até que um dia não pôde continuar: ele havia chegado ao mar e o saco estava vazio. Durante o inverno ficou morando com uns amigos e na primavera quando tomou o seu caminho para voltar para casa, a primeira plantinha de maça que encontrou já havia crescido e não era maior que seu dedo mindinho. As próximas plantinhas já tinham o tamanho de seu dedo anular, outras estavam como o dedo médio e algumas já tinham o tronco da grossura do seu polegar. Continuou andando e foi encontrando árvores cada vez maiores, primeiro do tamanho de sua mão, depois Do comprimento do seu antebraço, e do comprimento do braço todo. E cada vez maiores estavam, até que ele chegou em casa. Lá as árvores estavam da altura dele. Sua mãe ouviu-o chegar cantando:
“o bom Deus cuida de mim
e vou cantando assim:
Agradeço seus presentes
a chuva, o sol e as sementes.”
Ela correu a encontrá-lo e deu-lhe uma maça que havia amadurecido nas suas árvores.
Essa e a história de Joãozinho Semente de Maçã.

sábado, 30 de julho de 2011

O retornpo da Dona Baratinha

(Do extinto "Casa da Infância/Spaceblog")


 
 

Para responder algumas perguntas que foram feitas, retorno com a história da D. Baratinha...

Bem, ela faz parte da cultura popular. É encontrada em várias versões em todo o mundo, portanto não existe um autor a quem possamos atribuir os créditos.

Entretanto, a existe uma versão musicada  - "Quem quer casar com a Senhora Baratinha? (1973) - a quem atribui-se a letra ao nosso compositor Braguinha - João de Barro (1907-2006).


 

E a letra é a seguinte:

Quem quer casar com a senhora baratinha
Que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha
É carinhosa e quem com ela quiser se casar
Terá doces todo dia, no almoço e no jantar

Passem, passem, cavalheiros, passem todos sem parar
O mais belo com certeza minha mão irá ganhar

- Boizinho que vai passando, quer comigo se casar?
- Ó tão linda senhorita quem rejeita desposar?
- Sou porém muito sensível e medo tudo me traz
Diga primeiro boizinho como é que você faz?
- Muuuuuu
- Deus me livre de tal noivo mugindo dessa maneira
Terei sustos todo dia, terei medo a noite inteira

- Ratinho que vai passando, quer comigo se casar?
- Ó tão linda senhorita quem rejeita desposar?
- Sou porém muito sensível e medo tudo me traz
Diga primeiro ratinho como é que você faz?
- Qui-qui-qui
- Isso sim é que é voz bonita, não pode assustar ninguém
Até que enfim eu achei um noivo que me convém
...

Abana o fogo, macacada, abana o fogo
Abana bem bota a panela no fogão
Está na hora de aprontar a feijoada
Para o banquete do Dr. João Ratão

Feijão, carne seca, linguiça mineira
Orelha de porco pra dar e vender
Toucinho fresquinho, toucinho gostoso
Toucinho cheiroso pra gente comer
...

Vejam só que formosura
Bem no dia do noivado
A senhora baratinha
Com seu vestido rendado
Com seu véu de sete metros
Sapatinhos de cetim
Seu corpinho perfumado
Com essência de jasmim
Irão todos com certeza
Quando a virem tão faceira
Cheira mais do que a grinalda
De flores de laranjeira

 

Para ouvi-la, acesse a página:


Abraços a todos!

 

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Festa no Céu

(Do extinto "Casa da Infância/Spaceblog")

Este, do jeitinho que está aqui, fez parte da minha infância! 

Esta história pertence ao folclore brasileiro e temos a opção de baixá-la no www.virtualbooks.com.br, mas fiquei muito feliz de ter encontrado no blog da Leonor Cordeiro (http://leonorcordeiro6.blogspot.com)  aliás, vale a pena visitar este blog. é muito interessante!


Em certas manhãs de junho
em tempos que lá se vão
junto a lagoa do sapo
lá no meio do sertão
mestre sapo numa pedra
redondo como uma bola
ensinava tabuada
aos sapinhos lá da escola :
 .
"- Quatro vezes quatro , quatro,
Com mais quatro , quatro ! ".

"- Tá errado ! "
.
A velha dona Araponga
que era o arauto da floresta
fazendo um berreiro enorme
anunciava uma festa:
 .
“São Pedro manda avisar
Aos bichos deste sertão
A grande festa no céu
Na noite de são João
 .
Não deve faltar na festa
Nem um bicho voador
Do mosquito a borboleta
Do colibri ao condor
E para bicho sem asa
Não fazer vestido à-toa
Manda avisar que a festança
É só pra bicho que voa !”
 
.
A madame Saracura
Que se julgava a mais bela
E andava as turras com um sapo
Que a chamara magricela
Ao ouvir a tal notícia
Pulou de louca alegria
E em dueto com o marido
Começou a cantoria:
.
Vai haver festa no céu
Vou levar meu violão
Vou cantar a noite inteira,
Bam, banlão, bambão, bambão
A festança vai ser boa
Vai ter canjica e quentão
Mas só vai bicho que voa,
Bam, banlão, bambão, bambão
.
Quando a canção terminou
o sapo fez um escarcéu
E saiu gritando:
.
"- Oxe ! Eu vou a festa no céu !
Saracura ta pensando que eu só vivo na lagoa?
Vou mostrar a magricela
Vou provar que sapo voa
Vou tirar minha casaca lá do fundo do baú
Já decidi
Vou a festa, no violão do urubu !"
.
Chegou a manhã da festa
Desde cedo a passarada
Foi subindo para o céu
Em bandos em revoadas
Também cedo bem cedinho
Mestre sapo pulou,
Se vestiu, saiu da toca,
Foi procurar o urubu.
Foi andando , foi andando
E ao chegar numa clareira
Viu o urubu cochilando
Lá no alto da paineira
O urubu estava bem alto
Mas por sorte o violão
Estava dependurado
Num galho rentinho ao chão
Mestre sapo deu um pulo
E rápido num momento
Afastou algumas cordas
E penetrou no instrumento
E escutou de lá de dento
O urubu dizer de fora:
 .
" Valha-me São Benedito .
Quase que eu perco a hora ! "
.
O urubu pegou no pino
Bateu asas e voou
Mas estranhando o seu peso
Pelo buraco espiou
Tanto espiou que encontrou
o sapo lá bem no fundo
E sacudindo o instrumento
Cantou o loforibundo:
.
" Sai daí sapo danado
Sapo feio, jururu
Sapo não vai para o céu
Na viola de urubu
Vou jogar você lá embaixo
- Tá errado seu doutor
Desta vez eu te esburracho
- Tá errado, sim senhor
Mas sapório eu te perdôo
Bicho feio da lagoa
Só pra ver no fim da festa
Como é que sapo voa
Só pra ver no fim da festa, ôôôôôôôôô
Como é que sapo voa !"
.
Quando chegaram ao céu
A festa estava animada
E já de longe se ouvia
O canto da passarada
Mosquitos cantando finos
Besouros cantando grosso :
.
“Sobe, sobe, balãozinho
Balãozinho multicor
Vai ser mais uma estrelinha
Pra louvar nosso senhor”
.
“Sobe, sobe, balãozinho
Balãozinho multicor
Vai ser mais uma estrelinha
Pra louvar nosso senhor”
.
Foi chegando e foi tirando
a garça para dançar
Porém a garça orgulhosa
Nem parou pra conversar
.
Foi tirar a juriti.
Quase levou um supaco
Do gavião que exclamou :
" Dama não dança com sapo !"
Desanimado com todos
Cansado de tudo enfim
Mestre sapo adormeceu
No balanço no jardim
Quando acordou exclamou:
.
" Valha-me Nossa Senhora
A festa já se acabou
O urubu já foi embora ... "
.
E começou a pular
Já estava quase maluco
Quando avistou lá num canto
O trombone do Macuco
A orquestra foi a última
a deixar o firmamento
Cada músico levando consigo
O seu instrumento
.
Mestre Macuco soprou
Mas a música não saiu
Puxou a vara com força
E foi isso que se ouviu:
.
"Tom ... Tom... Tom....
Tá errado
Tom to-ro-rom-tom-tom
Tá errado
Tom ... Tom... Tom....
Tá errado
Tom to-ro-rom-tom-tom
Tá errado !
Pois então se tá errado
Por que não toca direito?
Eu nunca toquei tão mal
Em dias da minha vida
Eu acho que o meu trombone
Está com a vara entupida ."
.
E soprou com tanta força
Da bochecha e do pulmão
Que o sapo saiu de dentro
Como um tiro de canhão
Saiu e se despencou
De lá de cima o coitado
Vendo uma pedra cá embaixo
Gritava desesperado:
.
-Afasta pedra senão te esborracho
-Afasta pedra senão te esborracho
-Afasta pedra senão te esborracho !
.
BUMMMMMMMMMMMMMMM!
.
Mas a pedra não se afastou
Pedra não anda nem fala
E o sapo se esborrachou
Não morreu
Mas ficou feito
Seu corpo ficou disforme
Os olhos se esbugalharam
A boca ficou enorme
.
E os sapos que eram redondos
Muito bonitos outrora
Ficaram assim tão feios
E são tão chatos agora
Escutem meus amiguinhos
Este conselho acertado
Ir a festa, sem convite?
Escutem bem:
.
" TÁ ERRADO !"