quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dever de casa

Quatro e quatro oito

oito e oito dezesseis

Repitam! Diz o professor

Dois e dois quatro

Quatro e quatro oito

Oito e oito dezesseis

Mais eis o pássaro-lira

que passa pelo céu

o menino vê

o menino ouve

o menino chama

Venha me salvar

venha brincar comigo

seu pássaro!

Então o pássaro desce

e brinca com o menino

Dois e dois quatro...

Repitam! diz o professor

E o menino brinca

e o pássaro brinca com ele...

Quatro e quatro oito

Oito e oito dezesseis

Dezesseis e dezesseis fazem quanto?

Eles não fazem nada dezesseis e dezesseis

De todo modo

trinta e dois é que não fazem

e eles se vão

E a criança escondeu o pássaro

em sua carteira

e todas as crianças

ouvem a sua canção

e todas as crianças

ouvem essa musica

e oito e oito por sua vez já se vão

e quatro e quatro e dois e dois

por sua vez se mandam dali

e um e um não fazem nem um nem dois

um e um se vão também.

E o pássaro-lira volteia

E a criança canta

E o professor grita:

Quando acabará de fazer papel de palhaço?

Mas todas as crianças

ouvem a música

E as paredes da sala

Desabam tranquilamente

E os vidros voltam a ser areia

A tinta volta a ser água

As carteiras voltam a ser árvores

O giz volta a ser falésia
 
A pena de escrever volta a ser pássaro”

 
(Prévert, Jacques. Dia de folga)

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A curiosidade

Ótima parceira da disciplina, a curiosidade impulsiona os avanços humanos. Pois "curiosidade" não é só uma característica pueril, como nossos avós pensavam. É a nossa capacidade de explorar o mundo que nos cerca, de fazer perguntas.

Muitas escolas ainda acreditam que ensinar é uma transferência de conhecimento de quem  sabe para quem não sabe. Estas eliminam a possibilidade de formar alunos curiosos: não querem realmente que o aluno pergunte; querem que ele repita.

De forma simplificada, é preciso entender que "ensinar" é partir de hipóteses que o aluno já traz consigo para levá-lo (por meio de problematizações) a construir novos conhecimentos. É assim que todos aprendemos – confrontando as ideias que tínhamos com as que nos são apresentadas.

Por isso, manter alunos acesos e interessados é essencial. Na nova sala de aula, o trabalho intelectual não é prerrogativa do professor, mas um exercício comum a todos. Ao estar atento à aprendizagem, o aluno passa a valorizar o conhecimento e a ter o compromisso de aprender. Mais: aprende a admirar e a respeitar o mundo dos conceitos, do pensamento, das ideias.

O aluno que aprende a conciliar curiosidade e disciplina já no Ensino Fundamental certamente irá longe em sua escolaridade futura, pois adquiriu diversas habilidades essenciais.

[...]

Da mesma forma, dispor de tais instrumentos será determinante para o futuro universitário e para o profissional do século XXI.

Como já se disse, aquilo que usualmente se chama de sucesso é composto de inspiração e também de muito trabalho.

[...]

 Fonte: 
 
BRESSER, Maria Helena. Como a escola e os pais podem formar (juntos) um bom aluno. Disponível em http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/artigos/como-a-escola-e-os-pais-podem-formar-juntos-um-bom-aluno.php.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A leitura intermediando a relação professor aluno no infinito espaço da aula


Jorge Larrosa pinta-nos, brilhantemente, um quadro sobre o que é uma lição, colorido com os sentidos e significados da leitura.  Em seu discurso, o autor conduz o leitor a um mundo, talvez, inexplorado ou impensado sobre as possibilidades que a lição, por intermédio da leitura, oferece: dis-posição, emplazamento, in-de-terminação, en-fiar-se, amizade e liberdade. Termos que representam a especificidade e generalização da leitura na sua relação não com o bom leitor, mas o leitor de verdade. Aquele que mergulha nas linhas e entrelinhas disponibilizadas pelo escritor e que interage, digere e ousa, expandindo-se a um infinito de ideias e reflexões que modificam a sua própria estrutura de ser e de fazer.
Certamente, passado pelos olhos de um educador intrigado com as melhores maneiras de captar para si a atenção de sua plateia, a reflexão ultrapassa o objeto da lição – leitura – e contextualiza o espaço denominado aula. A aula reflete o posicionamento docente frente ao seu padrão de ensinante e de aprendente. Ao mesmo tempo em que entrega-se a atividade da leitura para destrinchar para si mesmo os segredos re-velados da leitura, guarda para si a preocupação em traduzir significativamente este teor para seus discípulos. Discípulos no sentido da avidez pelo domínio e autonomia da ferramenta leitura.
O educador, na maioria das vezes, conscientemente ou não, reconhece a sua tríplice tarefa de leitura: escutar o texto, escutar a si mesmo enquanto lê e escutar o silêncio daqueles que se encontram lendo. É ciente de sua tarefa, mas angustia-se na mesma proporção que sua prática é permeada pelas políticas educacionais. Às vezes, elas castram violentamente as iniciativas, sonhos e perspectivas docentes.
A este profissional dispõem-se, através do texto, elementos promotores de conhecimento e de inquietação. Sentimentos que produzem palavras ora suaves, ora enérgicas na sua trilha de formação pessoal e profissional, que são necessárias à conquista de sua liberdade envolta por laços de amizade. 
No breve espaço da aula, a relação professor-aluno, o bem maior a ser construído, independentemente dos percalços possíveis no processo de ensino-aprendizagem, traduz-se pelo o acesso, construção e autonomia dos educandos. Pela identidade com o docente, o aprendiz determina seus passos no caminho da construção da própria liberdade e amizade.

Rosana Rodrigues Gomes da Silva

 
Referência
LARROSA, Jorge. Sobre a lição. In: _______.  Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. Trad. Alfredo Veiga-Neto. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. p. 139-146.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Estratégia

Dizem que certa vez, estava um cego sentado no passeio, com um boné em seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por Favor Ajudem-me, Sou Cego".

Um criador de publicidade que passava por ele, parou e observou umas poucas moedas no boné. Sem lhe pedir permissão, pegou o cartaz, deu volta, pegou um giz e escreveu outro anúncio.

Voltou a colocar o pedaço de madeira sobre os pés do cego e se foi.

Pela tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmolas, e seu boné estava cheio de notas e moedas.

O cego reconheceu seus passos e lhe perguntou se tinha sido ele que escreveu seu cartaz e, sobretudo, o que ele tinha escrito. O publicitário lhe respondeu:

-- Nada que não esteja certo com seu anúncio, mas com outras palavras. Sorriu e seguiu seu caminho.

O novo cartaz dizia:

"Hoje é Primavera, e não Posso Vê-la!"

Mudemos de estratégia quando as coisas não nos saem bem, e veremos que o resultado poderá ser diferente.

Autor desconhecido

Portal Diabetes






Às vezes perdemos oportunidades em nossas vidas porque não nos permitimos olhar de forma diferente, observar e refletir sobre as informações que recebemos dos infinitos estímulos que recebemos ao longo do dia.

Criar em qualquer atividade significa conhecer uma realidade e fazer um rearranjo mesclando-a com experiências, interações, significados que nos são particulares.




Ouse, afinal, o sucesso vem acompanhado por determinação e ousadia!






AbrAção,

Rosana Rodrigues