terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O direito da criança - Ruth Rocha


Ruth Rocha é fabulosa.



Sempre admirei a forma como suas palavras bailam e expressam de forma tão precisa e poética questões e situações que fazem parte do mundo infantil.  É o caso deste poema. Fala a respeito de questões legais, educacionais, de lazer, humanos, que deveriam ser minimamente respeitados.



Também pode ser interessante conhecer o que diz a Declaração Universal dos Direitos das Crianças e o Estatuto da Criança e do Adolescente. A primeira diz respeito aos princípios estabelecidos em documento aprovado na Assembleia Geral da ONU, em 1959,  que orienta todos os países a respeitarem as necessidades básicas das crianças e o segundo, a lei nº 8069, dispõe sobre as condições para que as crianças e adolescentes do Brasil tenham uma vida mais digna.


Documentos que merecem estudo e reflexão e, mais ainda, que se façam vale na prática. Neste momento, a leitura deste pelo poema, dá a dimensão de um quadro que deveria envolver todas as crianças indistintamente.



Toda criança do mundo

Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.


Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.


Não é questão de querer

Nem questão de concordar
Os direitos das crianças
Todos tem de respeitar.
Direito de perguntar…
Ter alguém pra responder.
A criança tem direito
De querer tudo saber.

A criança tem direito
Até de ser diferente.
E tem que ser bem aceita
Seja sadia ou doente.
Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.
Mas a criança também
Tem o direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…
Ver uma estrela cadente,
Filme que tem robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.
Descer no escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.
Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola, bola bola!
Lamber fundo de panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa…
Contar estrelas no céu…






Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cachorro quente.
Festejar o aniversário,
Com bala, bolo e balão!
Brincar com muitos amigos,
Dar uns pulos no colchão.
Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura…
Alguém para querer bem…
Festinha de São João,
Com fogueira e com bombinha,
Pé de moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.
Andar debaixo de chuva,
Ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva,
Sentir o cheiro do mar.
Pisar descalça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro,
Noite de muito luar.
Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada…
Falar pelos cotovelos.
E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem estar…
De preferência com colinho.
Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonhar…
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!

AbrAção,
Rosana Rodrigues 

 Encontrado em:
 http://www.campolargo.pr.gov.br/uploads/O%20direito%20da%20crian%C3%A7a%20Ruth%20Rocha.pdf

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